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“Família precisa acolher criança que faz xixi na cama”

No último dia 24 (terça-feira), o Coordenador do Departamento de Urologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, Dr. Átila Rondon, participou, ao vivo, de uma transmissão feita pela Revista Pais & Filhos sobre enurese noturna. O Sem Xixi na Cama acompanhou a live, que durou pouco mais de vinte minutos e reuniu mais de 100 comentários. Confira os principais pontos da entrevista.

Apoio psicológico

Segundo o especialista, uma das primeiras atitudes que ajuda no tratamento é os pais entenderem sua importância para o equilíbrio da criança. “A família tem que entender que a criança não tem nenhum controle sobre isso, é absolutamente involuntário. Então, como qualquer outro tipo de problema, a gente orienta a conversar com a criança de que isso é algo comum e que, buscando apoio correto, é possível tratar”, explica.

Outro dado recente, de acordo com ele, é o acompanhamento psicológico dos pais durante o tratamento da enurese noturna. “O xixi na cama também repercute na saúde psicológica dos pais. Normalmente, quando eles procuram ajuda, já estão cansados de tentar mil fórmulas diferentes, com noites mal dormidas. Então eles também precisam desse suporte”, diz.

Isso evita, inclusive, atitudes punitivas por parte dos pais. “Em 90% das vezes as famílias punem a criança pelo xixi na cama, justificando como uma culpa, além de outras frases que ouvimos, como ‘ela não tem vergonha’ ou ‘é preguiçosa’, o que não é absolutamente verdade. Toda a carga emocional e psicológica que a família coloca na criança só tende a piorar o quadro de enurese”, orienta.

Orientação médica

Na ânsia pelo fim das noites molhadas, há quem, inclusive, utilize remédios sem prescrição médica, um verdadeiro perigo para a saúde das crianças. “Recebemos muitos casos de crianças tomando antidepressivos contra xixi na cama, o que, sem orientação e necessidade, pode causar efeitos colaterais gravíssimos como alterações cardíacas, por exemplo”, esclarece.

Para o especialista, uma das primeiras coisas a se fazer é identificar se as alterações urinárias se limitam à hora de dormir ou se também manifestam sinais durante o dia. “A criança que durante o dia sai correndo pra ir ao banheiro ou que não consegue segurar, precisa de uma investigação maior”, diz. Já crianças que sofrem com episódios somente durante o sono, podem ser avaliadas clinicamente, sem necessidade de exames adicionais.

Outro erro comum é associar o xixi na cama a problemas emocionais. “Temos alguns casos específicos em que problemas psicológicos podem gerar perdas noturnas, mas não é o mais comum. Na verdade, as repercussões emocionais são, na maioria das vezes, consequência das perdas de xixi”, diz, referindo-se à enurese primária e secundária, classificações médicas do transtorno.

Tratamentos

Além dos fatores genéticos, o xixi na cama também pode ser motivado por fatores como capacidade da bexiga e produção de hormônios. “Algumas crianças não têm vasopressina, um hormônio que diminui a produção de urina durante a noite, sendo necessário entrar com um medicamento que o simula”, explica. Junto ao tratamento, medidas comportamentais também podem ajudar, como restringir líquidos durante a noite e ir ao banheiro logo antes de deitar. Mas reforça: sozinhas, essas práticas não produzem resultado. “Às vezes os pais colocam um alarme para despertar durante a noite, acordarem a criança e levarem ela para fazer xixi, o que, naquela noite pode funcionar. Mas a efeito de tratamento, em longo prazo, não funciona”, diz.

Contudo, até antes de começar a adotar novos hábitos, é preciso observar a saúde da criança por completo e tentar entender de onde vem o xixi na cama. “Tem crianças que a gente vê que só de tratar a prisão de ventre, por exemplo, para de fazer xixi na cama. São coisas que nem sempre associamos, mas que tem uma relação muito clara”, conta.  

Assista outras entrevistas do Dr. Átila Rondon ao Sem Xixi na Cama, aqui.