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Enurese secundária: 6 fatores que podem impactar o emocional

Há quem duvide que um ser tão pequeno e inocente como uma criança possa enfrentar problemas emocionais. Mas sim, justamente por serem inexperientes e vulneráveis, elas podem encarar dificuldades para absorver determinadas informações e lidar com sentimentos, até então, novos para elas. A enurese secundária – caracterizada por episódios de xixi na cama após seis meses de total controle da micção - é uma manifestação que costuma afligir muitas famílias e, segundo os médicos, pode ter como motivação um desequilíbrio emocional, refletido na falta de controle fisiológico. É como se elas encontrassem outra maneira de manifestar seus sentimentos e liberar a tensão interna, variando a frequência dos eventos entre uma vez por semana ou por mês.

Observar os comportamentos da criança e analisar seu contexto de vida é essencial para identificar possíveis fontes da disfunção, que, se não tratada corretamente, pode repercutir na maneira com que a ela se relaciona com os outros e enxerga a si própria. Mas cuidado com abordagens agressivas ou corretivas. A criança com enurese secundária já está passando por algum estresse emocional e a maneira com que os responsáveis por ela lidam com os eventos pode ser determinante para uma terapia eficiente e livre de traumas.

Confira situações que podem impactar no emocional dos pequenos:

Mudança da fase escolar

A transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental – a partir dos seis anos - é uma etapa crucial na vida da criança. Uma nova rotina se instaura, incluindo diferentes professores, lição de casa, mais regras no ir e vir e, principalmente, silêncio durante as aulas, o que, para algumas delas, pode não ser simples de assimilar. Uma alternativa é começar a prepará-la antes de a transição acontecer efetivamente, inclusive, se possível, levando-a para conhecer o novo espaço e demonstrando que você estará sempre por perto. Durante o primeiro ano da nova etapa escolar, é essencial realizar um acompanhamento diário, checando recados na agenda e conversando com o pequeno sobre suas experiências.

Nascimento de um irmão

Há quem diga que quando nasce um irmão, nasce também o ciúme, afinal, se receber toda atenção é ótimo, pra quê dividi-la? Por isso é essencial deixar a criança participar tanto quanto possível da chegada do bebê, sempre reforçando a nova companhia que irá ganhar e a importância dela na vida da família. Mas, caso a criança volte a adotar comportamentos infantis, como usar chupeta e fazer xixi na cama, tenha paciência. Procure mostrar que ela já cresceu e que pode ajudar a cuidar do irmão. Uma alternativa é mostrar fotos de quando ela era bebê e tentar explicar tudo que ela ainda não podia fazer nessa fase e que agora já pode.

Problemas familiares

Apesar de parecem alheias ao que acontece ao redor, as crianças prestam atenção em tudo e muitas vezes acabam interpretando somente parte daquilo que está sendo dito. Situações como briga familiar, divórcio, repreensões constantes e agressão podem representar grandes abalos emocionais e prejudicar o desenvolvimento dos pequenos. Evite discutir na frente na criança ou transferir para ela as dificuldades ou prostrações da rotina. Sempre que uma situação delicada surgir – como a separação, por exemplo – sente com ela e converse, explicando o que isso implica na sua vida e enfatizando a importância da relação de vocês.

Excesso de cobranças

Na intenção de ajudar no desenvolvimento das crianças, muitos pais acabam exigindo muito e se esquecem de elogiar ou incentivar atitudes positivas. Lembre-se de que tudo tem hora certa e que antes de ser seu filho, a criança é um indivíduo que precisa de compreensão e suporte para expandir suas emoções. Enxugue a agenda de compromissos do pequeno e observe comportamentos como medo de dividir com você as notas da escola ou receio na hora de dar uma opinião.

Superproteção

Assim como o excesso de cobranças, proteção em exagero também pode ser prejudicial. Quando a criança é poupada de todas as dificuldades, não aprende a lidar com elas, refletindo posteriormente em insegurança e baixa autoestima. Busque um equilíbrio, dando responsabilidades compatíveis com a idade e mostrando, sempre que preciso e de maneira gentil, as consequências de cada escolha.

Falta de rotina

Por mais que as crianças reclamem na hora de acordar, dormir ou ir para a escola, a rotina é essencial para orientar seu comportamento e ajudar no desenvolvimento saudável. Quando o cotidiano é incerto e nunca existe hora certa para comer e brincar, por exemplo, a criança fica insegura e pode ser impactada por um forte estresse. 

Desconfia que seu filho esteja com enurese noturna? Procure orientação médica.